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Os caminhos do poder

Rodolfo Juarez                     

 

Certamente que não estava nos planos do governador Camilo Capiberibe ter que exonerar dois secretários de seu governo antes de completar seis meses de mandato na gerência dos interesses da população do Estado e do próprio Estado.

O mais grave, entretanto, foram os motivos das substituições. Não digo que diretamente relacionados ao comportamento individualizados daqueles auxiliares. Tanto a secretária Mirian Correa, da Secretaria de Estado da Educação, como o secretário Paulo Figueira, da Secretaria de Estado do Meio Ambiente, deixaram os cargos por pressão externa, alimentada por descontentamento interno.

Mais uma vez ficou claro que o Governo do Amapá, independentemente da vontade do governador, exige de seus gestores, principalmente secretários de estado, conhecimentos administrativos adequados às exigências políticas dos cargos.

Já não basta ser um “fiel escudeiro”. Precisa ser um conhecedor do setor que recebe para administrar. Não aquele conhecimento específico, mas o conhecimento que seja suficiente para entender quando deve ouvir mais do que falar, agir mais do que esperar e, principalmente, compreender mais do que ser compreendido.

Precisa, por isso, ter característica de líder, capacidade de líder e respeito de líder.

Para os dois secretários que saíram faltou capacidade de compreender que as questões administrativas não podem mais ser resolvidas no grito, com ameaças e sem a parceria de todos aqueles que devem participar do processo de administração.

Os erros, aqueles que foram cometidos involuntariamente, juntaram-se a outros, produto de identificações feitas e que são inerentes ao próprio processo, e começaram a solapar as decisões, que por mais adequadas que fossem, ficaram em discordância com os interesses da maioria.

Os resultados vieram com os indicativos de greves, depois com denúncias e finalmente a dúvida.

E quando se instala a dúvida na administração, o único remédio é a saída do gestor, por mais importante que ele possa parecer para alguns. Nesse momento a maioria já não está disposta a esperar e os prejuízos administrativos começam a se acumular.

Aos poucos os dois secretários, a de educação e o de meio ambiente, viram-se acuados e sem saída. E quando na discussão sobre o futuro imediato das pastas, foram suscitadas as hipóteses da substituição, nesse momento deu para sentir que já não tinham mais condições para que os dois continuassem, sem o desgaste para todos, inclusive do governador.

É um fato normal mesmo não sendo aceito pelo que sai.

Mas a administração pública moderna não tem espaço para os conflitos, muito embora eles existam e sempre estejam pipocando em diversos setores de governos, sejam eles governos municipais, estaduais ou do governo federal.

Aquilo que parece obvio para o gestor que está saindo, não cabe mais nas discussões daqueles que precisam que o secretário esteja ocupado com outras questões, algumas delas estratégicas e que são inerentes a outros órgãos.

Dizer que o governador demorou em fazer as substituições dos secretários é o mesmo que dizer que ele as fez no momento certo. São apenas hipóteses que não podem mais ser confirmadas e que, por isso, perdem a importância.

As decisões tomadas agora podem despertar naqueles que se sentem inseguros no cargo a certeza de que independe da vontade deles a decisão de ficar. No atual modelo, às vezes insistir em ficar é encurtar o caminho para a exoneração.

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