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Capiberibes são citados em suposto esquema investigado pela Mãos Limpas

A maioria das informações já divulgadas até hoje, sobre a Operação Mãos Limpas, não é novidade para ninguém. Porém, um detalhe chamou a atenção na série de reportagens publicadas no último final de semana, pelo jornal Estadão: o suposto envolvimento de parentes do governador Camilo Capiberibe (PSB) com o esquema de fraudes no Amapá.
De acordo com o enviado especial do Estadão, Bruno Paes Manso, o esquema de ataque aos cofres públicos instalados nas instituições públicas do Amapá desviou pelo menos R$ 1 bilhão nos últimos dez anos e continua funcionando nos dias de hoje. Os números e as conclusões são do inquérito final da Operação Mãos Limpas da Polícia Federal, desencadeada em setembro de 2010.
As investigações, os documentos, vídeos, fotos e escutas foram analisados por policiais e peritos ao longo deste ano e mandados ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), diz o jornal.
As mais de duas toneladas de material apreendidas mostram irregularidades grosseiras, com indícios de crimes que revelam um ambiente de impunidade, no qual políticos, autoridades e empresários não pareciam se importar em deixar rastros. São desde saques milionários e mensais de verba pública tirados na boca do caixa a superfaturamentos em todos os contratos analisados.
Segundo as reportagens, a inteligência do esquema consistiu principalmente em envolver integrantes de todas as instituições amapaenses, distribuindo cargos e dinheiro do Orçamento estadual. A base dos recursos do Amapá – R$ 7em cada R$ 10 – vem de repasses federais.

Parentada
Na sequência de reportagens, o Estadão destaca uma que chama a atenção trazendo um fato novo em meio a tudo o que já foi publicado: a mulher do governador, Cláudia Camargo Capiberibe, foi assessora especial do presidente do Tribunal de Contas do Estado (TCE), José Júlio de Miranda Coelho, acusado no inquérito da Polícia Federal de ser um dos articuladores dos desvios de recursos públicos no Estado.
De acordo com os documentos, os policiais federais concluíram que o emprego de parentes e aliados em diferentes instituições do Estado era uma das maneiras de manter a harmonia entre os Poderes e barrar as fiscalizações necessárias.
Em uma lista apreendida pelos policiais na casa de Miranda, com o nome de pessoas empregadas no gabinete da presidência do TCE, está citado um primo do governador, Jorney Souza Capiberibe, com a indicação do cargo – assessor especial – e o salário de R$ 6,1 mil. O nome do governador Camilo Capiberibe aparece ao lado, entre parênteses, diz o jornal.

Outro lado
O governador Camilo Capiberibe afirma que sua mulher, Cláudia, foi nomeada assessora da presidência em 2004 quando ele ainda não tinha mandato. Diz também que a mulher deixou o posto em dezembro de 2010, quando ele assumiu o governo. Capiberibe sustenta também que não teve influência na nomeação do primo.

Reflexos
Diante de tanta suspeita de corrupção, o resultado caminha capenga com uma saúde em coma, um setor energético vergonhoso, uma educação analfabeta e uma economia que amarga a pior do país, com índices negativos, segundo o IBGE.
A vinda do nome do atual governador que foi o principal favorecido nas eleições 2010, pela Operação Mãos Limpas, para o foco das acusações, mostra que o vírus pode continuar se espalhando.
Não foi à toa que no início deste ano, os policiais federais visitaram a casa da conselheira aposentada do Tribunal de Contas do Estado, Raquel Capiberibe, tia do governador Camilo. A investigação era mais um dos desdobramentos da Mãos Limpas.
Por ironia, o então candidato Camilo, beneficiado com o escândalo, hoje se vê envolto às mesmas suspeitas. Mas, afinal de contas, se todas as informações fazem parte do mesmo inquérito policial (681), porque o nome do então candidato Camilo foi omitido na operação, principalmente no período eleitoral?

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