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Idosos utilizam aposentadoria para pagar despesas do Abrigo São José

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Na manhã de ontem (7), a presidente da Comissão de Diretos Humanos da Assembleia Legislativa, deputada Estadual Marilia Góes (PDT), acompanhada de técnicos esteve na Unidade de Longa Permanência do Abrigo São José para averiguar sérias denúncias que chegaram à Comissão.
A entrada da parlamentar se deu de forma tumultuada, pois a diretora da Unidade, Terezinha Cardoso, tentou impedir que a comissão visitasse o prédio: “Eu não vou permitir sua entrada” chegou a dizer. Depois de convencida sobre as prerrogativas da Comissão, ela foi convidada a acompanhar a vistoria.
Na visita, a presidente da CDH constatou que as denuncias eram procedentes. Péssimas condições de alimentação e falta de acompanhamento alimentar e nutricional, foram as maiores reclamações. De acordo com os idosos, pela manhã é servido apenas café preto e pão. A quantidade de alimentação servida no almoço é insuficiente. O jantar é repetidamente sopa há pelo menos três meses.
Os albergados informaram à Comissão também que na alimentação não há, por exemplo, frutas a no cardápio dos idosos. Foi constatado que dos quatro refrigeradores da dispensa, apenas um continha alimento, neste caso, apenas frango.

Beneficio dos idosos são utilizados para custear o abrigo
O que mais chamou a atenção da Comissão foi a confirmação de outra denúncia. A de que o dinheiro de aposentadorias e pensões dos idosos estavam sendo utilizados para bancar as despesas do abrigo. “Usamos sim! Desde que entrei aqui, a SIMS nunca mandou recurso, então metade do beneficio dos idosos é utilizado para despesas como material de limpeza e expediente”, confirmou Terezinha Cardoso, a diretora do Abrigo São José.
Segundo ainda a diretora, dos 56 idosos que o abrigo atende, cinco deles recebem o beneficio por meio de seus familiares, outros sete sacam suas pensões com a ajuda de um acompanhante do abrigo, os demais pensionistas tem seus cartões e senhas sob a guarda da administração. Sãos os gestores do abrigo que sacam os salários, sendo utilizado 50% do valor para custear despesas da unidade, e os outros 50% sendo entregues aos abrigados para utilizarem com aquisição de roupas e despesas de uso pessoal.
Pela legislação, o financiamento de unidades de alta complexidade, como é o caso do Abrigo São José, é responsabilidade do poder público, preconizada na Lei Orgânica da Assistência Social (LOAS) e Normas Operacionais. Neste caso, os idosos residentes no Abrigo, são cidadãos devem ter todas as suas necessidades supridas dentro da própria unidade, ou seja, devem ter garantidos os serviços como a saúde, segurança alimentar e nutricional, vestuário, estadia, atenção psicossocial, atividades socioeducativas e religiosas, e de convivência comunitária.
Ao questionara um funcionário do setor administrativo sobre o procedimento de recebimento dos benefícios dos idosos, o mesmo informou ser ele mesmo quem recebia os benefícios e os deixava no cofre do abrigo. Porém, ao pedir para ver o cofre, a diretora, negou a existência do dispositivo e apresentou depois de muita insistência da presidente da CDH, Marilia Góes, a cópia da Recomendação de nº 01/201 do Ministério Público Estadual que determina a direção do abrigo a devolução dos cartões e senhas bancárias aos idosos ou seus representantes legais, bem como para que a SIMS proporcione suplementação orçamentária mensal de R$ 10.333,16.
Para tentar solucionar o problema a diretora fez os encaminhamentos conforme a recomendação, mas enfatiza que até agora a única participação por parte da SIMS é o fornecimento de alimentos. Alimentação que averificação da comissão constatou-se ser inapropriada para os idosos.

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Condições precárias
Outra denúncia sobre a precariedade do atendimento de saúde dos moradores do abrigo, foi contatada. Atualmente a unidade conta com 55 idosos abrigados. Há apenas um em regime de semi-internato que permanece no núcleo apenas no período de 8 às 18 horas.
Para o público de 56 idosos o núcleo dispõe de limitado número de profissionais na área da saúde, sendo: um fisioterapeuta, logo nenhuma atividade terapêutica vem sendo realizada, assim, os idosos passam grande parte do tempo ociosos. Enquanto uns ficam deitados quase o dia todo outra parte permanece deitada.
No corpo médico atendem: um psiquiatra, dois assistentes sociais, duas psicólogas, um geriatra e apenas seis cuidadores distribuídos entre os plantões dia e noite, estes últimos com o salário atrasado há três meses, bem como os demais servidores das empresas terceirizadas.
Além dos cuidados necessários pela avançada idade dos idosos, há abrigados em situação de pós-cirúrgico e necessidades especiais de locomoção, mas para o acompanhamento diário destes quase sessenta idosos estão disponíveis apenas dois enfermeiros e quatro técnicos.
Tomado pelo mato e acumulo de lixo, funcionários temem pela própria saúde no abrigo, já que o matagal tem atraído grande número de insetos, inclusive o caramujo africano presente em demasiada quantidade no local. O quarto de repouso dos enfermeiros além de não ter sequer um ventilador, também está com parte do teto caindo, apresentando sérios riscos de desabar totalmente.

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Os idosos
Moradores mais antigos na Casa, lamentam a própria situação, muitos até choram ao reclamar da péssima qualidade de vida. “Os funcionários até se esforçam, mas a direção nos maltrata, não nos dá alimentação nem tratamento digno”, contou dona Luiza, ao enfatizar que hoje nem as atividades socioeducativas estão sendo realizadas entre eles. Idosa que foi pejorativamente chamada de mentirosa pela diretora da unidade. “A partir do que se foi constatado aqui, vamos ingressar com representação no Ministério Público, já que aqui foi constatado clara violação dos Direitos Humanos”, adiantou a presidente da CDH, Marilia Góes.
A parlamentar disse também que apesar de compreender a diretora não tem tido condições de garantir os serviços do Abrigo, sem o devido apoio do Governo do Estado. “É lei garantir serviços como a saúde, a segurança alimentar e nutricional, vestuário, estadia, atenção psicossocial, atividades socioeducativas, dentre outras que deem a estas pessoas dignidade nesta etapa tão especial de suas vidas. E nós vamos cobrar ” garantiu aos internos.

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